Ceilândia é indivisível!
A promessa de Rollemberg de “ouvir entidades e movimentos sociais na
escolha e nomeação dos administradores regionais” não resistiu a 20 dias de
governo. Essa crise ele não poderá jogar no colo do ex-governador Agnelo. Essa ele
próprio inventou e vai ter que carregar, pois deixou o gosto amargo da
desconfiança nas bocas que gritaram seu nome nas eleições do ano passado.
Não foi por acaso que Rollemberg incluiu a questão da escolha dos
administradores regionais na sua campanha. Ele sabia dessa antiga reivindicação
das cidades, pois as percorreu diversas vezes à procura de votos. Ele sabe que
essa proposta significou o apoio de milhares de eleitores para sua campanha de 2014.
Agora, o eleitor espera que ele comprove a coerência de sua política.>>>
Não queremos crer que Rollemberg tenha falado em escolha e eleições
diretas para administradores regionais sabendo que a proposta era impossível,
pois teria sido leviandade da parte dele. Também não queremos crer que ele
tenha falado apenas para ganhar votos, pois isso teria sido oportunismo, que na
política é vício que envergonha a sociedade. Os eleitores do Distrito Federal
votaram em Rollemberg confiantes em causas mais nobres, entre elas a autonomia
política e administrativa das cidades, a participação popular nos destinos do
DF e o fim do abandono das periferias, comum a todos os governos que o
antecederam. Causas do socialismo verdadeiro, que não podem ser esquecidas em
gavetas, nem negociadas com deputados, nem transformadas em leviandade e
oportunismo.
Independente das razões que o fizeram prometer a escolha e eleição dos
administradores, ouvindo as entidades e os movimentos sociais, resta ao governo
Rollemberg cumprir o prometido, sob pena de ver escorrer pelo ralo o apoio que
lhe deu o eleitor brasiliense em 2014. Queremos que Rollemberg tenha coragem e
não se deixe enganar. Esses que agora o pressionam para que seu governo falte
com a palavra nessa questão das administrações regionais, vão rir quando as
pesquisas de opinião reprovarem o seu governo, pois lavam as mãos hoje e
lavarão no futuro.
Idêntico às outras regiões administrativas do DF, que acreditaram na
seriedade da proposta do governo Rollemberg de ouvir o movimento social
organizado para a escolha e indicação dos administradores, o caso de Ceilândia
é emblemático. Desde o resultado das eleições 2014, a cidade se desdobrou em
reuniões, construção de Fórum Permanente, seminário, lista tríplice e outros
esforços de participação próprios da ética que devolve à política o seu caráter
legítimo de ação em prol dos interesses coletivos.
Vê-se, no entanto, que a paciência pode não ter sido a melhor conselheira
no caso de Ceilândia, pois o governo Rollemberg desconsiderou o diálogo
democraticamente colocado à mesa: sequer marcou a audiência solicitada pelo
Fórum Permanente e só recebeu a comissão da cidade - por meio de uma assessora
de plantão, após visita surpresa ao grupo de transição no dia 12 de dezembro
passado. Depois disso, silêncio sepulcral.
Não foi por falta de tempo, nem de informação que os movimentos sociais -
entre eles o Fórum Permanente Ceilândia Viva, deixaram de ser recebidos pelo
grupo de transição e pelo governo empossado no dia 1º de janeiro de 2015. Mas,
essa falta proposital de diálogo – que é própria daqueles que escolhem,
antecipadamente, “com quem querem se comprometer” pode produzir estragos
políticos indesejáveis ao novo governo.
Ceilândia, por exemplo, é a grande vítima: a maior cidade do DF em número
de eleitores e a segunda em arrecadação de impostos, foi rachada ao meio com um
golpe autoritário, como não seria de se esperar de um governo democrático,
principalmente de um governo dirigido por um socialista. Ao contrário, foi dada
em pagamento para deputados e grupos políticos que, mesmo incapazes e
ilegítimos, se consideram, “donos da cidade” e se negam a contribuir para o
fortalecimento da unidade cultural, política e social da cidade.
Como socialista que é, desde que entrou na política - como alega ao dizer
que nunca esteve em outro partido além do PSB, Rollemberg deveria demonstrar ao
povo brasiliense o que aprendeu com o socialismo nessas décadas de militância.
Temos certeza que não há uma só formulação de inspiração socialista que o
tenha orientado no sentido de desunir, separar e fragmentar artificialmente uma
cidade como Ceilândia, cuja unidade de 44 anos foi construída com a luta
incansável dos erradicados das favelas do Morro do Urubu, Vila do IAPI, Placa
das Mercedes, Vila Tenório, Esperança, Bernardo Sayão, Morro do Querosene,
Curral das Éguas e outras mais recentes – esforço heróico de construção basilar
de convivência harmônica de uma comunidade de 600 mil habitantes.
Convictos de que a divisão autoritária da cidade, sem base científica que
a justifique e sem consulta à sociedade ceilandense, é uma agressão sem
precedente que não resolverá seus graves problemas, mas causará uma inaceitável
ruptura cultural, social, econômica e psicológica com danos irreparáveis à organização
da cidade, conclamamos o cidadão ceilandense para:
1 – DIZER NÃO a proposta do governo de dividir arbitrariamente a cidade de
Ceilândia.
2 – ASSINAR este abaixo-assinado que será enviado à Câmara Legislativa do
DF para que ela REJEITE a proposta de divisão da cidade de Ceilândia.
Ceilândia, 22 de janeiro de 2015
FÓRUM PERMANENTE
CEILÂNDIA VIVA
Boa noite!
ResponderExcluirVenho através deste, solidarizar-me com tal atitude deste fórum. A nossa cidade é indivisível e merece respeito por parte do governo.
Um abraço.
Carlos Mackalister
www.simnospodemos-2014.blogspot.com.br